sábado, 26 de fevereiro de 2011

A VELHINHA CONTRABANDISTA




Todos conhecem a história da velhinha contrabandista.
Todos os dias, uma velhinha atravessava a ponte
entre dois países, de bicicleta e carregando uma bolsa.

E todos os dias era revistada pelos guardas
da fronteira, à procura de contrabando.
Os guardas tinham certeza que
a velhinha era contrabandista,
mas revistavam a velhinha,
revistavam a sua bolsa,
e nunca encontravam nada.
Nada.

Todos os dias, a mesma coisa: nada.
Até que um dia um dos guardas decidiu
seguir a velhinha, para flagrá-la vendendo
a muamba, e ficar sabendo o que ela
contrabandeava e, principalmente, como.

E seguiu a velhinha até o seu próspero
comércio de bicicletas e bolsas.

(L. F. Veríssimo)
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Como todas as fábulas,
esta traz uma lição,
só nos cabendo descobrir qual.

Significa que quem se concentra no mal
aparentemente disfarçado
descuida do mal disfarçado de aparente,
ou que muita atenção ao detalhe
atrapalha a percepção do todo,

Ou que o hábito de só pensar o óbvio
é a pior forma de distração...

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